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Intercâmbios

RELATO
Experiências de Maria Theresa em Coimbra

COIMBRA

Cheguei a Coimbra no final de janeiro desse ano de 2013, trazendo na mala muita expectativa para esse intercâmbio. Estudar na Universidade de Coimbra sempre foi um sonho meu, pois é uma das Universidades mais antigas do mundo (sua fundação data de 1290) e de grande peso na área jurídica. Sem sombra de dúvidas, o convênio assinado com ela foi uma das coisas que me levou a cursar a Faculdade de Direito de Franca – um acordo com uma universidade internacional tão prestigiosa é um fator de excelência para uma faculdade.

O primeiro contato com a Escola de Direito foi encantador. As aulas ainda não haviam começado, mas estar de frente para aquele que foi o Palácio Real da primeira capital lusitana me fez entender a honra que seria, dali em diante, fazer parte de um (ainda que apenas um) dos então 723 anos da Universidade. Estar no prédio em que supostamente nasceu D. Afonso Henriques – fundador da nacionalidade portuguesa no século XI –, estar ao lado da Biblioteca Joanina – considerada a biblioteca mais bela do mundo, repleta de raridades em suas estantes (inclusive a primeira edição de “Os Lusíadas”, de Camões) –, ver os estudantes de capas negras atravessando o grande pátio ao som do relógio da torre (a “Cabra”), dentre outras coisas, é viver a história.

Na sala de aula, a sensação não foi diferente. Professores excelentes, cada qual com a liberdade para escolher o seu método de avaliação; aulas teóricas (com o titular da cadeira) e aulas práticas (com o auxiliar do titular); uma grande estrutura. Cadeiras como Direito Internacional (Público e Privado) e Medicina Legal são as mais procuradas pelos alunos estrangeiros, pois elas são equivalentes ao que é lecionado no Brasil. Muitas outras matérias da grade dos quatro anos deles também valem a pena de serem cursadas, pois, apesar de estarmos diante de um ordenamento jurídico diferente (mas não tão diferente assim), é uma grande oportunidade de aprender a história da ciência jurídica daqui, estudar princípios universais sob um viés diferente e mesmo comparar o Direito brasileiro com o lusitano.

A Faculdade de Direito goza de uma grande tradição: foi e é formadora de profissionais de renome, não só em Portugal como no mundo todo, na área jurídica e além, como na literatura. Não faltam exemplos: Tomás Antônio Gonzaga (neoclassicista brasileiro); Gonçalves Dias (da primeira fase do romantismo brasileiro); Eça de Queirós (realista português); Joaquim Gomes Canotilho (catedrático de Direito Constitucional de grande influência nessa área pelo mundo todo); vários juízes do Tribunal Constitucional (o “STF” lusitano); etc.

A vida acadêmica é o marco da cidade cortada pelo rio Mondego. Coimbra é movimentada pelos discentes, conferindo-lhe um clima peculiar, um ar sempre de alegria e festas. Em maio, a Queima das Fitas mobiliza o país inteiro. Realizada desde 1899 pela Associação Académica Coimbra, essa comemoração marca o término do ano letivo e a formatura dos alunos da Universidade. A emocionante Serenata Monumental no Largo da Sé Velha, os excessos e alegorias do Cortejo, as noites embaladas por músicos de destaque internacional, tudo isso forma a semana da maior festa estudantil da Europa, que também é um grande instrumento de manifestação política. E, falando nos acadêmicos, também não posso deixar de citar que, no último semestre, Coimbra foi titulada como o lugar com o maior contingente de estudantes brasileiros fora do Brasil (cerca de 2000) – estar em Coimbra é estar em casa.

Coimbra é uma cidade cheia de histórias e lendas: a tragédia do amor de D. Pedro I de Portugal e Inês de Castro, os milagres da Rainha Santa Isabel. As lendas vivem em cada azulejo das paredes, em cada pedra das ruas estreitas e íngremes. Quanto a Portugal, é um país maravilhoso e agradabilíssimo, com sua história de conquistas e glórias, seus fados, seu clima, seus vinhos, azeites e quitutes. Apesar de estar passando por uma grande crise (econômica e política), prioridades, como a saúde e a educação, nunca são esquecidas e continuam funcionando muito bem. 

Para finalizar, tenho que dizer que Coimbra não se explica: sente-se. Há um certo sentimento pela cidade e pela Universidade daqueles que aqui vêm estudar e/ou morar (sejam elas conimbricenses ou não, portugueses ou estrangeiros, velho ou jovem) que não encontra significado em palavras; é único.Não há cidade nenhuma no mundo em que o seu povo lhe devota amor tão grande como ocorre aqui. Poder passar por isso será uma das melhores lembranças da minha vida. Àqueles que quiserem e puderem fazer esse intercâmbio, agarrem essa oportunidade, e sintam-se prontos para viver uma das experiências mais incríveis pela qual se pode passar!

Maria Theresa Camillo De Martini
Aluna da Faculdade de Direito de Franca
Intercambista na Universidade de Coimbra – Portugal